A frase é do escritor François Andrieux, na obra O Moleiro de Sans-Souci, a respeito da decisão de Frederico, o Grande, rei da Prússia, de expulsar um moageiro e demolir o seu moinho existente próximo do local onde seria construído um castelo para o rei, alegando que o prédio era horroroso e prejudicaria a vista dos nobres residentes e hóspedes. Inclusive, deu ordens para remoção e demolição à força.
O fato coloca-se no séc. XVIII. Dito no conto que o moleiro não se curvou à ordem do soberano, nem se acovardou na presença dos soldados; não saiu, esperneou, envolveu-se com a tropa e gritou: "Il y a des juges à Berlim!" .
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QUANDO OUVIR NOTÍCIAS DENEGRINDO E FAZENDO DISCURSO DE ÓDIO CONTRA JUÍZES LEMBRE-SE:
O responsável por decidir barrando o aumento abusivo do combustível é um juiz.
Quem decide mandar para a prisão os corruptos é um juiz.
Quem determina a devolução de bilhões desviados pela corrupção aos cofres públicos é um juiz.
Quem decide determinar que seja fornecido medicamento não acessível ao cidadão é um juiz.
Quem determina que se reintegre uma propriedade é um juiz.
Quem declara nula uma fraude em prejuízo a qualquer cidadão é um juiz.
Quem determina um empregador pagar salário e verbas retidas é um juiz.
Quem determina que uma rede de TV que fira a honra de alguém conceda espaço para resposta é um juiz.
Quem condena o Estado a devolver imposto excessivo é um juiz.
Quem pode absolver um réu inocente é um juiz.
Quem determina que todo abuso de direito seja cessado é um juiz.
Quem declara a legalidade de uma greve é um juiz.
Quem reconhece uma paternidade por sua decisão é um juiz.
Quem determina sejam nomeados concursados na ordem de classificação é um juiz.
Quem determina que a Previdência Social conceda um benefício negado injustamente é um juiz.
Quem determina que um cálculo de emolumentos realizado de forma abusiva seja corrigido é um juiz.
E todas as decisões outras em que não se cumpram a Constituição e as leis são decididas por um juiz, determinando sejam obedecidas.
Todos os que querem viver à margem da lei detestam a Justiça e os Magistrados. Assim, antes de espalhar notícias de ódio a juízes, pense se não está fragilizando a independência de quem terá que decidir por absolver ou condenar na tarefa de fazer Justiça, dando a cada um o que é seu em nome do Estado brasileiro. (Texto abaixo da linha pontilhada é originário da AJUFERJES, enviado pelo desembargador federal Raldenio Bonifácio Costa)